FLAMENCO URBANO

Novos ambientes com paisagens peculiares vão surgindo no horizonte.

Se antigamente havia uma preocupação em adequar os espaços para que eles tivessem uma estética mais flamenca (fundo com mantóns, por exemplo), hoje em dia se assume que o flamenco faz parte de uma cultura viva e em desenvolvimento e pode acontecer em qualquer espaço, sendo a arte do artista o elemento principal e pitoresco que se diferencia da paisagem.

Partindo da reflexão sobre o conceito de arte urbana, o Flamenco como linguagem já apresenta características da arte urbana em seu caráter espontâneo. Isso lhe permite acontecer em qualquer lugar com pessoas que conheçam a linguagem, podendo estar ou não vinculada ao seu entorno.

O flamenco ganha vida como uma arte urbana quando um pequeno grupo se reúne nas praças, no terraço do bar ou nas calçadas para tocar, cantar ou dançar ou quando pequenos tablados móveis são levados à determinados pontos da cidade e os artistas flamencos se apresentam nas ruas.

Diferenciando a reunião da apresentação entram as preocupações com o entorno, a estética flamenca e a colaboração financeira do público. Nas reuniões improvisadas a roupa é cotidiana, não há nenhum combinado prévio e não há intenção de apresentação. Isso quer dizer que não há preocupação com roteiro, duração ou figurino, nem há necessidade de alcançar um público.

Já as apresentações de rua têm a preocupação de chamar a atenção do público, tem começo, meio e fim, apresentam uma estética mais característica e recolhem doações no final. Vale ressaltar que as apresentações de rua estão sujeitas a fiscalização e muitas vezes são interrompidas por serem ilegais.

Um ponto importante a ser compreendido sobre o Flamenco Urbano é que ninguém anda pelas ruas e decide ver o flamenco acontecendo na esquina por onde passa. Como dito antes, o flamenco acontece num encontro espontâneo ou é levado até o público pelo artista. Nas artes urbanas você não vai ao encontro da arte. Você sai de casa e, quando nem imagina, é surpreendido por ela.

Na atualidade, podemos encontrar diversos materiais que utilizam a expressão Flamenco Urbano como termo, apresentando certas nuances trazidas das ruas para o cenário através de figurinos casuais e cotidianos utilizados em montagens coreográficas flamencas. Desta forma, automaticamente há uma sugestão de um flamenco mais moderno e atual através do seu visual. Porém, como diria o ditado espanhol: – Ojo, que la vista engaña” (olho, que a vista engana). Em muitos casos o figurino casual é apenas o mesmo flamenco, como se fosse o flamenco com vestido “de lunares” (de bolas) mas com uma roupagem diferente.

Mais do que outra estética, há outros casos em que a roupa cotidiana (ou diferenciada do tradicional) é conceitual e condizente com a modernidade e atualidade da dança flamenca como é o caso da obra que nos apresenta Rocio Molina no filme Flamenco Flamenco – de Carlos Saura.

Rocio Molina no filme Flamenco Flamenco de Carlos Saura

Com as redes sociais e os telefones celulares, temos cada vez mais fotografias e vídeos registrando os momentos espontâneos e as apresentações flamencas pelas ruas como arte urbana nos dando uma dimensão mais realista daquilo que acontece em várias partes do mundo, dando mais visibilidade à arte e aos artistas que levam suas expressões até o público.

Boa parte dos materiais que vemos nas pesquisas sobre Flamenco Urbano são musicais e trazem  uma interação entre o flamenco e outros estilos musicais que o distanciam do conceito geral de arte urbana por definição. Porém, há outra expressão (e com ela um determinado conceito) chamada “flamenco fusion”, que surgiu na década de 80, e que aparece em diversos contextos conectado ao conceito de Flamenco Urbano, relacionado aos trabalhos primeiramente musicais que se tornaram muito populares – desenvolvidos por artistas que dedicaram seu interesse em estabelecer ligações e relações entre o flamenco e outros estilos de música, e que hoje também é uma expressão e conceito aplicado a fusão da dança flamenca com outros estilos de dança.

Em qualquer ambiente flamenco esta arte se faz a partir do encontro, seja o encontro consigo, com a dança, com a música, com os artistas ou com o público.

Nas ruas, quando essa arte te encontra, ela te encanta e transforma (tanto o artista, como o passageiro) porque como arte viva, por sua natureza, tão efêmera quanto um sonho. em um instante será apenas uma memória.

Cylla Alonso

ARTE URBANA

por Cylla Alonso

Para falar sobre a expressão flamenco urbano, nosso próximo artigo da série AMBIENTES FLAMENCOS, é necessário falar primeiramente sobre a arte urbana.

  • A arte, em si, é uma manifestação universal do ser humano exposta através de uma atividade artística, temporal ou atemporal, que expressa um conceito relativo a uma idéia, sociedade, época, costumes ou determinada cultura.
  • Urbano é tudo aquilo que pertence à cidade, que tem aparência de cidade ou a ela se refere.

Como conceito, a arte urbana, também conhecida como arte de rua, engloba diversas expressões artísticas (como a dança, a música, a poesia e a pintura) que acontecem e interagem com um espaço público e cuja produção frequentemente desafia as estruturas legais, estando frequentemente relacionado a subculturas ou contraculturas dos mais diversos tipos.

O termo Arte de Rua, street art, em inglês, surgiu nos Estados Unidos, na década de 70, caracterizando artes efêmeras que aconteciam na cidade, sujeitas ao tempo, as pessoas, à ilegalidade e às dinâmicas imprevisíveis da cidade.

Como um movimento underground – que significa subterrâneo, em português, sendo um termo usado para designar uma cultura que foge dos padrões validados pela sociedade em geral ou se refere um ambiente com uma cultura diferente, que tem sua própria moda e geralmente não está na mídia – a arte de rua foi gradativamente se constituindo como forma do fazer artístico, abrangendo várias modalidades, principalmente de grafismos .

Termo contemporâneo para um conceito antigo

Apesar da modernidade que possa trazer a expressão nos dias de hoje, o conceito da arte que ocorre na rua, historicamente existe desde os tempos mais antigos. Rapsodo era o Poeta popular, ou cantor, que ia de cidade em cidade recitando poemas épicos, cujo canto parece sintetizar os acentos mais sensíveis a seu povo. A arte alcançava as ruas desde a Grécia pré-socrática em que os aedos homéricos (cantores) transmitiam os seus versos e as suas músicas pelas ruas. 

Arte Urbana x Arte Pública.

Importantíssimo ressaltar que a arte urbana não é igual a arte pública.

Embora ambas utilizem os espaços localizados na cidade, diferem principalmente na legalidade e na estrutura. A arte urbana é ilegal e, portanto, está sujeita a ser removida de um momento para o outro tornando-se efêmera. Por outro lado, a arte pública é legalizada, faz parte dos planos do Estado, é contratada e recebe manutenção para seu planejamento, execução e distribuição.

Flamenco na Arte urbana

Partindo da reflexão sobre o conceito de arte urbana, o Flamenco como linguagem já apresenta características da arte urbana em seu caráter espontâneo. Isso lhe permite acontecer em qualquer lugar, na paisagem da cidade, com pessoas que conheçam a linguagem, podendo estar ou não vinculada ao seu entorno.

Saiba mais no artigo: Flamenco Urbano

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